A violência contra a mulher

Os números são dolorosos e a realidade é muito triste, pois segundo a OMS(Organização Mundial de Saúde), uma em cada três mulheres no mundo é vítima de violência doméstica. Colocando em números simplórios, um terço das mulheres do planeta sofreu ou sofrerá com violência dentro dos seus lares.

Do ponto de vista da lei, o Novo Código Civil de 2002 traz consigo o princípio da igualdade entre homens e mulheres, em direitos e obrigações. O Direito Civil vem justamente para mostrar, perante a lei, que homens e mulheres são iguais. Mas não é isso que vemos cotidianamente nos lares, incluindo os brasileiros. As mulheres sofrem violência doméstica e urbana pois existe na sociedade em geral – e muito na brasileira – um censo enraizado de que as mulheres são, de alguma forma, propriedade dos homens. E não precisamos ir muito longe para encontrar exemplos.

Maria da Penha, que inspirou a lei tão transformadora, era uma mulher com doutorado, estudiosa, de “boa família”. Isso não impediu que seu ex-marido tentasse matá-la por duas vezes. Dentro do ciclo de violência, existem inúmeras camadas de sofrimento, ameaça, medo pelos filhos, dependência financeira e afetiva, e medo por si mesma.

Os noticiários brasileiros estão repletos, todos os dias, de mulheres mortas, abusadas e agredidas pelos seus maridos ou ex-companheiros, seus pais e pais de seus filhos. A culpa é das mulheres? Não. É de uma sociedade patriarcal, machista, que acredita que o papel da mulher é subserviente, e precisa de total aprovação masculina para existir. Dentro desse cenário, a mulher torna-se uma pária, e a violência é naturalizada. Basta pensar na frase: “Em briga de marido e mulher não se mete a mulher”. É dessa mudança de mentalidade que precisamos.

Só quem sofreu muita violência sabe “onde dói o calo”. Onde doeu o tapa no rosto. Onde machucou o puxão no braço. Imagine denunciar aquele que um dia foi seu esposo, mas que hoje é seu algoz. Muitas mulheres denunciam, e felizmente, o número de denúncias aumenta a cada dia. Algumas vezes, a denúncia vem tarde demais.

Por isso o Direito trabalha para que exista segurança para as mulheres no âmbito das relações, e para que a mentalidade social mude aos poucos,mesmo que gradualmente.

Femina Revista

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